quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Mark Bevir - A lógica da história das idéias


Dentre os estudos de história das idéias/história intelectual, seguramente aqueles produzidos pela Escola de Cambridge (Skinner e Pocock especialmente) são os que ganharam maior repercussão internacional, sendo inclusive bastante divulgados no Brasil. Os dois historiadores britânicos já foram publicados no país e algumas das teses do contextualismo lingüístico já são moeda corrente nos estudos sobre o pensamento político.

Cresce, no entanto, a importância de autores de grande renome internacional que dirigem críticas aos autores da chamada Escola de Cambridge, destacando-se o nome de Mark Bevir, politólogo estadunidense, ora publicado no Brasil pela Edusc.

O ponto que me parece especialmente interessante na argumentação de Bevir é a sua proposta de uma retomada dos filósofos analíticos, em especial Wittgenstein e Davidson. Fundamentalmente porque sua retomada da filosofia analítica significa para Bevir afastar-se das discussões em torno da tradição hermenêutica, em especial as de Gadamer e Skinner, que se tornou praticamente consensual no campo da história intelectual.

Inquestionavelmente, uma discussão aguda que, é de se lamentar, ainda não está repercutindo em nossos canteiros. (E.S.)

sábado, 27 de setembro de 2008

Divulgação de Revista Acadêmica na área de Historiografia

Reproduzimos abaixo uma mensagem de divulgação da publicação sobre Historiografia dos professores da UFOP:
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Caros colegas,

É com prazer que informamos o lançamento do primeiro número da revista História da Historiografia. Lembramos que a revista receberá contribuições para o seu segundo número até 20 de dezembro de 2008. Informações sobre nossas normas de publicação podem ser consultadas no http://www.ichs.ufop.br/rhh/normas.php, outras informações pelo e-mail historiografia@ufop.br.

Neste primeiro número a revista conta com as seguintes contribuições:

Artigos

História da História (1950/60). História e Estruturalismo: Braudel versus Lévi-Strauss.José Carlos Reis

Além da racionalidade instrumental: sentido histórico e racionalidade na teoria da história de Jörn Rüsen.Martin Wiklund

Idéias de futuro no passado e cultura historiográfica da mudança.Astor Antônio Diehl
Sine ira et Studio: retórica, tempo e verdade na historiografia de Tácito.Flávia Florentino Varella

“Fixar a onda de luz”: O problema da transição das épocas históricas no conceito de helenismo em Johann Gustav Droysen.Pedro Spinola Pereira Caldas & Henrique Modanez de Sant’Anna

Resenhas

RÜSEN, Jörn. História Viva: teoria da história: formas e funções do conhecimento histórico. Tradução de Estevão de Rezende Martins. Brasília: UNB, 2007, 159p. Sabrina Magalhães Rocha

MARQUARD, Odo. Las dificultades con la filosofía de la historia. Valencia: Pre-Textos, 2007, 268p. Sérgio da Mata

Acesse o texto completo em nosso portal: www.ichs.ufop.br/rhh

Cordialmente,
Os editores

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Primeira Reunião do GT - A. O. Lovejoy



Colegas,

na próxima quinta-feira, dia 25 de setembro, será realizada a primeira reunião de estudos do GT História das Idéias da Anpuh-RS. A nossa intenção é promover uma série de encontros onde serão discutidos autores e textos que permitam traçarmos uma história da história das idéias. O primeiro encontro terá como ponto de partida um ensaio de Arthur O. Lovejoy, escrito na década de 1930, disponível para download a todos os interessados no disco virtual cujo link é
http://discovirtual.uol.com.br/disco_virtual/dkern/GTHI e a senha é lovejoy. Essa reunião, aberta a todos os interessados, será realizada nas dependências dos PPG em Ciências Criminais da PUCRS, prédio 11 10º andar, das 16h às 18h.
Até lá e saudações do

GT de História das Idéias

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Livro do Doutor Rui Cunha Martins


O leitor deste livro será confrontado com a seguinte ideia - a de que a fronteira, operador político por excelência, é hoje mecanismo não amputavel, não redutível a uma simples condição de obsolescência histórica e política, e, sobretudo, não dispensável; deparar-se-á também com a insistência, talvez ousada, na ideia de que a demarcação se inscreve entre as necessidade vitais de um mundo que, precisamente, se apresenta como irrestrito e que, encerrando a fronteira um potencial demarcatório inestimável, ela pode ser mecanismo de resistência contra o totalitarismo das sociedades incapazes da produção de limites. Mas deparar-se-á também com uma advertência - a de que, de acordo com essa providência cautelar da democracia segundo a qual devemos poder defender-nos daquilo que nos defende, a fronteira é, basicamente, imprevisível e merece, por conseguinte, tanto as nossas reservas quanto a nossa atenção. (Fernando Catroga, na Apresentação)

domingo, 20 de julho de 2008

Algumas sugestões de leitura sobre a história das idéias.


Apesar de ser um campo de pesquisa bastante tradicional em países de língua inglesa e alemã, a história das idéias ainda não é tão difundida em nosso meio acadêmico. Em função disso, uma das principais funções do GT e deste blog será a de divulgar textos fundamentais que permitam conhecer um pouco mais sobre a história da história das idéias. Abaixo, relacionamos alguns autores e obras de referência que estão disponíveis em língua portuguesa.

Arthur Oncken Lovejoy (1873-1962) é considerado um dos fundadores da história das idéias, tendo desenvolvido sua carreira acadêmica nos EUA. “A grande cadeia do Ser” é um de seus livros mais conhecidos, fruto de uma série de conferência proferidas na Universidade de Harvard, no ano letivo de 1932-33, no âmbito das Conferências William James, vindo à lume em 1936 pela Harvard University Press, foi publicado há poucos anos no Brasil. Ver: Arthur O. Lovejoy. A grande cadeia do Ser. São Paulo: Palíndrono, 2005.

Robin George Collingwood (1889-1943). Filósofo e historiador das idéias britânico, ele é conhecido dos leitores lusófonos em especial pelo seu livro “A idéia de História”. É hoje um dos autores que, em que pese a sua importância, têm ficado à sombra. Dele, ver: R. G. Collingwood. A idéia de história. Lisboa: Editorial Presença, s/d.

Benedetto Croce (1866-1952).
Indiscutivelmente, a sua obra é muito mais voltada à filosofia do que à história. No entanto, dedicou-se a discutir a história do pensamento em algumas obras que deveriam ser lidas pelos historiadores. Em português, ver:
Benedetto Croce. História como história da liberdade. Rio de Janeiro: Topbooks, 2006.

Franklin L. Baumer (1913-1990) iniciou sua carreira como professor na New York University, transferindo-se na década de 1940 para Yale, onde permaneceu até a aposentadoria. ''Modern European Thought'' foi traduzido em Portugal, publicado em dois volumes pela Edições 70 e oferece um amplo painel da história do pensamento europeu moderno, do século XVII ao século XX. Ver: Franklin L. Baumer. O pensamento europeu moderno. 2 vol. Lisboa: Edições 70, 1977.

Isaiah Berlin (
1909-1997) estudou em Oxford e dedicou-se ao longo de toda a sua carreira ao estudo da história das idéias. Além de uma boa biografia sobre Berlin (Michael Ignatieff. Isaiah Berlin, uma vida. RJ: Record, 2000), há em língua portuguesa uma grande quantidade de suas obras. Sugere-se, antes de qualquer coisa Isaiah Berlin. Estudos sobre a humanidade. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. Esse polpudo volume de 720 páginas consegue oferecer alguns dos melhores estudos de Berlin, passando por várias fases de sua produção.

Quentin Skinner, nascido em 1940
é considerado, ao lado de John Poccock, referência incontornável no que diz respeito à história das idéias. De suas várias obras, algumas encontram-se traduzidas para o português. Ver: Quentin Skinner. Maquiavel. São Paulo: Brasiliense, 1985; ______. As fundações do pensamento político moderno. São Paulo: Companhia das Letras, 1996; ______. Liberdade antes do liberalismo. São Paulo: Unesp, 1999; ______. Razão e retórica na filosofia de Hobbes. São Paulo: Unesp, 1999; ______. Hobbes e a teoria clássica do riso. São Leopoldo: Unisinos, 2002 .

John Poccock, nascido em 1924, é um dos representantes da “escola de Cambridge” ou do assim chamado contextualismo lingüístico, assim como o já citado Skinner. Pocock, no entanto, está menos acessível em Português. Dele, conferir: J. G. A. Pocock. Linguagens do ideário político. São Paulo: Edusp, 2001.

Criação do GT de História das Idéias

Prezados colegas,

é com imensa satisfação que entramos em contato com vocês para anunciar a criação do "GT História das Idéias", cuja inscrição foi apresentada à Diretoria da Anpuh/RS na Assembléia realizada no dia 16 de julho de 2008, no Auditório do ILEA/UFRGS. A criação de um GT de História das Idéias atende uma antiga demanda de um significativo grupo de pesquisadores cujos trabalhos se constróem em diálogo com esse tradicional campo de estudos históricos.

Na ocasião, foram acolhidos os nomes da Prof. Drª Ruth Maria Chitto Gauer como coordenadora e do Prof. Dr. Éder Silveira como vice-coordenador do GT. O blog desse GT, que será um de seus canais de comunicação, já está on-line, ainda que em construção. O endereço é
http://historiadasideias.blogspot.com e o e-mail é historiadasideias@bol.com.br. Todos aqueles que desejarem se inscrever no GT História das Idéias são bem-vindos.

Saudações cordiais,

Ruth Gauer e Éder Silveira